Milho acelera em MT, mas custo preocupa produtor
A colheita já supera o ritmo observado no mesmo período do ciclo anterior
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A segunda safra de milho 2025/26 avança em Mato Grosso com produtividade estimada em 120,28 sacas por hectare e produção prevista de 53,35 milhões de toneladas. Segundo dados divulgados pelo Sistema Famato, a colheita chegou a 11,29% da área na segunda semana de junho, enquanto os custos projetados para 2026/27 acendem alerta no planejamento dos produtores.
A colheita já supera o ritmo observado no mesmo período do ciclo anterior. Segundo dados divulgados pelo Sistema Famato, os trabalhos alcançaram 11,29% da área estimada na segunda semana de junho, avanço de mais de 5 pontos percentuais em relação à semana anterior. O desempenho também ficou acima do registrado na safra 2024/25, quando cerca de 7% da área havia sido colhida no mesmo período. De acordo com o Sistema Famato, o índice atual está próximo da média dos últimos cinco anos, indicando um andamento dentro do padrão histórico recente do estado.
A área plantada com milho em Mato Grosso foi mantida em 7,39 milhões de hectares. Com a revisão de junho, a produtividade média foi estimada em 120,28 sacas por hectare. Já a produção total deve alcançar 53,35 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Sistema Famato.
Para a analista de agricultura do Imea, Milena Bezerra, o avanço observado até agora reflete um cenário positivo para os trabalhos de campo, especialmente se o clima continuar colaborando nas próximas semanas.
“A colheita do milho em Mato Grosso segue avançando, atingindo 11,29% da área total até a última sexta-feira, 12 de junho. Esse ritmo representa um avanço de pouco mais de 5 p.p. em relação à semana anterior e supera o desempenho da safra 2024/25, situando-se próximo à média dos últimos cinco anos para o estado. Caso as condições climáticas continuem favoráveis, os trabalhos de campo devem ganhar um ritmo ainda mais acelerado nas próximas semanas, consolidando um cenário de boa produtividade”, diz.
Apesar do avanço da colheita, o produtor mato-grossense já precisa olhar para o próximo ciclo com mais cautela. De acordo com levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário, desenvolvido pelo Senar MT por meio do Imea, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio. O valor representa alta de 14,46% em relação ao consolidado da safra 2025/26.
Segundo dados divulgados pelo Sistema Famato, o Custo Operacional Efetivo foi projetado em R$ 5.528,49 por hectare, aumento de 15,03% na comparação anual. Considerando a produtividade estimada de 120,28 sacas por hectare, o preço mínimo necessário para cobrir esse custo é de R$ 45,96 por saca.
O Custo Total também subiu. De acordo com o Sistema Famato, o indicador foi estimado em R$ 7.418,49 por hectare no estado, avanço de 10,30% frente à temporada anterior.
Na avaliação de Milena Bezerra, a combinação entre custos mais altos e riscos climáticos exige atenção redobrada no planejamento da safra 2026/27. A preocupação envolve os possíveis efeitos secundários do El Niño sobre o calendário agrícola, especialmente pela influência que o fenômeno pode ter sobre a primeira safra e, consequentemente, sobre a janela de plantio do milho segunda safra.
“Em relação à safra 26/27, o cenário exige cautela devido ao impacto secundário do El Niño. Diferente da soja, onde o impacto é direto, no milho o fenômeno afeta a cultura de primeira safra, podendo comprometer a janela de plantio da segunda safra de milho. Somado a isso, o custo de produção apresentou alta, com o custeio estimado em maio atingindo R$ 3.800 por hectare”, explica.